Artigo de opinião do presidente do NERPOR-AE, Jorge Pais

Advinha-se uma saída progressiva do confinamento. Não vai ser «abrir as portas» e tudo passa a ser como dantes! Além da lentidão da retoma, muitos receios persistem e vários costumes e práticas sociais mudaram, se não para sempre, pelo menos de forma duradoura. Isso implica que muitas empresas vão ter que ser criativas e adaptarem-se aos novos tempos, inovando nos seus produtos e formas de chegar ao mercado. Em regiões como o Alentejo, com muito poucas pessoas, e onde existe grande quantidade de empresas bastante dependentes dos mercados próximos, ainda mais se fará sentir esta necessidade de criatividade e pro-actividade!

É preciso encontrar formas de diferenciar favoravelmente os produtos, novas formas de angariar clientes e vender a produção ou serviços. A todos os níveis, desde o pequeno restaurante ou estabelecimento de retalho, até às empresas de maior dimensão, vai ter que se repensar a atitude produtiva e comercial, «aproveitando» até eventualmente a crise para, «dando a volta por cima», pôr as empresas no bom caminho da recuperação e crescimento!

Todos temos de nos consciencializar que o pretendido «dinheiro» não é uma «panaceia» que vá resolver tudo, até porque não é uma dádiva às empresas, mas sim um acréscimo de endividamento. Os empresários, micro ou não, são suficientemente realistas e calejados para saberem que o dinheiro não vai cair do céu, oferecido de qualquer maneira, até por uma simples e elementar razão: Não há!!!

O Estado já comprometeu o que tem e o que não tem, saltando do primeiro excedente orçamental da nossa democracia para um deficit dos maiores de sempre, colocando-nos de novo no «fio da navalha» dos mercados financeiros internacionais. De repente, a nossa dívida que esteve sempre a subir em termos absolutos, volta a dar nas vistas porque face à quebra do PIB, também dá um grande pulo quando medida em % deste. É por isso que precisamos dos chamados «Eurobonds», assim a dívida é da Europa e não nossa! Mas a coisa está difícil! Os «nórdicos» não estão pelos ajustes... Mas desse tema falarei noutra altura.

Agora falemos da particular necessidade das empresas alentejanas se «reinventarem», ultrapassarem os especiais constrangimentos da região, não amolecerem no vão queixume da falta de apoio, e jogarem ao ataque, acrescentando valor aos seus produtos ou serviços e descobrindo novas formas de os vender, metendo «mãos á obra», desde já!

É ainda antes dos primeiros tímidos passos da retoma que as empresas têm de escolher novas estratégias para diferenciar o que vendem, tornando-o mais atractivo para os clientes que têm de procurar, no país ou no estrangeiro! É preciso reagir já! E com força!   

Afinal, em termos de saúde até somos a região menos afectada pelo Covid-19.

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