A Universidade de Évora (UÉ) vai realizar testes à COVID-19 com vista a contribuir para o aumento da capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde. Estima-se a realização de até 300 testes por dia para apoiar, por um lado, o Hospital do Espírito Santo, em Évora, e por outro, instituições de apoio a idosos da região, envolvendo várias Unidades de Investigação da UÉ e, neste último caso, também a Escola de Enfermagem São João de Deus, que irá efectuar a recolha das amostras.

As amostras a serem testadas no Laboratório de Virologia Vegetal do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) chegarão já com as partículas virais inactivadas, pelo que a equipa da UÉ trabalhará com o material genético, minimizando assim a manipulação das partículas virais activas e evitando riscos de contaminação. A extracção do RNA viral será efectuada com recurso a kits de extracção manual e automática e a identificação será realizada por PCR em tempo real com recurso às metodologias propostas pelo Instituto de Medicina Molecular (IMM) e validadas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

A realização dos testes ficará a cargo de uma equipa de professores e investigadores da UÉ do Laboratório de Biologia Molecular, Laboratório de Microbiologia do Solo e Laboratório de Virologia Vegetal do MED, do Departamento de Fitotecnia e do Departamento de Química da Escola de Ciências e Tecnologia e do Laboratório HERCULES.

Maria Rosário Félix, investigadora responsável do Laboratório de Virologia Vegetal realça que, face à presente situação «é dever de toda a comunidade colaborar, sendo que a Universidade de Évora dispõe de recursos humanos altamente qualificados para a realização dos testes, uma vez que é uma metodologia de Biologia Molecular transversal a várias áreas científicas».

A equipa da UÉ está «altamente motivada e empenhada em fazer o seu melhor e dar um contributo directo para ajudar na mitigação desta pandemia, apoiando no que é, neste momento, um dos maiores constrangimentos dos laboratórios públicos e privados». A professora da UÉ sublinha, ainda, que o Laboratório que dirige «está dotado de muito do equipamento necessário à realização dos testes a partir do material genético, daí a sua adaptação ser mais simples e rápida do que em outro qualquer laboratório». 

O investimento necessário para a adaptação e reforço do Laboratório de Virologia Vegetal ronda os quarenta mil euros, que a Universidade de Évora assegurará com o mecenato científico do Banco Santander Totta.

Este reforço da capacidade de realizar testes de diagnóstico resulta da coordenação entre a UÉ, o Hospital do Espírito Santo (HESE) e a Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARSA) para, em conjunto, aumentar a capacidade de resposta da região e, assim, garantir uma maior cobertura da população.

A UÉ, a par de outras medidas já tomadas, pretende ser, cada vez mais, um agente proactivo e interveniente, contribuindo dentro das suas competências científicas e técnicas e capacidade de resposta, para mitigar um dos problemas com que as Autoridades de Saúde se deparam: a limitada capacidade de realização de testes à COVID-19.

Recorde-se que o Governo iniciou no final do mês de Março uma operação de testes de despiste da COVID-19 em todos os lares de idosos nos concelhos de Lisboa, Aveiro, Évora e Guarda, estendendo-se depois ao resto do País.

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