Construção de pontes, de parcerias, de colaborações, de desafios e de amizades. Tudo isto aconteceu em três anos do projecto INTREPIDA - Internacionalização das Mulheres Empresárias de Espanha e Portugal para a Inserção, Desenvolvimento e Alianças – e uma vez mais fez-se história na 4.ª edição do Fórum INTREPIDA, na cidade de Évora.

Organizado pelo Núcleo Empresarial da Região de Évora (NERE), parceiro oficial do projecto na região do Alentejo, em colaboração com o coordenador do projecto – a Fundação Três Culturas do Mediterrâneo – este fórum mostrou a simbiose que nasce da vontade de ir mais além e lançar-se em novos caminhos que visam a internacionalização.

A Capote’s Emotion conta que a sua presença na exportação assenta no «mercado da saudade». Delfina Marques, gerente da empresa explica que a internacionalização é feita pelos clientes, «através dos nossos emigrantes. Quando vêm a Portugal fazem as encomendas e nós mandamos. No mundo onde houver um português nós vendemos os nossos capotes». Mas a cooperação já foi também vivenciada pela empresária que lembra que foi convidada por empreendedoras espanholas a participar, o ano passado, numa mostra ligada à indústria da moda em Sevilha e «foi um sucesso». O ateliê e loja desta empresa foram um dos locais de visita das empresárias durante a realização da iniciativa, onde tiveram oportunidade de ver que «tudo é feito por medida e todos os materiais são nacionais, desde o botão até ao tecido e à pele».

Susana Mendes, sócia-gerente da Pepe Aromas, agricultura orgânica certificada de figos da índia, ambiciona satisfazer as necessidades de consumo interno, bem como apostar na exportação, salientando a importância de parcerias nacionais e internacionais para uma optimização da rentabilidade, estudo e potencial da cultura. A empresária considera que «para que as exportações sejam, cada vez mais, os produtos devem ser de qualidade» e este desafio tem sido alcançado pela empresa. A seu ver, o projecto INTREPIDA permite criar sinergias entre empresas portuguesas e espanholas, partilhar experiências e estabelecer connects de trabalho e de negócio. «No caso da Pepe Aromas, o projecto já nos valeu várias parcerias comerciais», assevera, adiantando que um dos exemplos são as viagens de comboio que a empresa disponibiliza e que permite ao turista ficar a conhecer todos o processo desde a origem, da plantação, até ao produto final, os figos da índia. Esta experiência foi vivida pelas participantes deste fórum hoje à tarde.

Neste evento foram partilhados outros casos de sucesso também ao nível dos benefícios alcançados pela existência de parcerias e da internacionalização.

Paula Leitão tem a empresa Água Mole, em Cabeço de Vide, sendo uma marca de produtos aromáticos. Para a empresária, o projecto INTREPIDA tem sido «muito importante» para conhecer outras realidades, aceder a formações online, tendo como fim último «entrar mais longe e chegar à internacionalização». A empresária afirma que já houve vários contactos de empresárias espanholas, aguardando-se a concretização das parcerias. «Os laços comerciais são decisivos, mas também as relações afectivas ajudam-nos também a crescer enquanto mulheres e empreendedoras».

 Joana Garcia tem a queijaria Monte da Vila, no Vimieiro, Alentejo Central, produzindo um produto feito a partir de ovelha, sal e cardo, completamente orgânico. «Sou nova no projecto, mas penso que é fundamental porque serve para partilharmos experiências e é inspirador». E adianta que «desde ontem, surgiram imensas sinergias com muitas empresas espanholas que enfrentam as mesmas dificuldades. Estes momentos permitem-nos aproximar e agregarmo-nos e acredito que se nos ajudarmos mutuamente podemos ir mais longe».

Do Algarve, mais precisamente de Loulé, é a empresária Sílvia Rodrigues que tem uma empresa de criação, produção e comercialização de joias ecológicas denominada Sigues. «As peças são feitas com papel de jornal e na última colecção introduzi o cobre. Trouxe das cataplanas o cobre, descontextualizei-o e trouxe-o para a ourivesaria», explica. A empresária está no projeto INTREPIDA desde o início e afirma que ele lhe tem aberto janelas de internacionalização. «É um grande contributo para empresárias como eu conhecerem outras empresárias porque abrem-se perspectivas diferentes que nos permitem progredir». A empresária participou na maior feira de moda flamenca para a qual criou uma colecção inspirada na cultura andaluz e que «foi muito bem aceite. Este ano, em Fevereiro, estive na semana da moda de Sevilha onde voltei a apresentar a colecção em desfile».

Da Andaluzia surgem Las delicias del Palacio del Dean de Natalia del Aguila Garcia, uma empresária que confeciona marmeladas e conservas naturais, artesanais e com sabores diferentes como o pimento e o gengibre, limão e canela. É a primeira vez que a empreendedora participa no projeto e diz estar «encantada» com as iniciativas, considerando ser «gratificante por ter adquirido conhecimentos com a troca de experiências, por se terem criado redes e por se terem ouvido diferentes opiniões». Natalia del Aguila Garcia anuncia que já fez uma parceria com uma empresária alentejana, de queijos, para estarem presentes juntamente numa feira em Sevilha.

A 4.ª edição do fórum INTREPIDA - Internacionalização das Mulheres Empresárias de Espanha e Portugal para a Inserção, Desenvolvimento e Alianças – terminou hoje, em Évora, e contou com o apoio financeiro do programa Interreg POCTEP Espanha-Portugal, bem como dos restantes parceiros: Núcleo Empresarial da Região de Évora – NERE, Associação Empresarial da Região de Portalegre – NERPOR-AE, Ninho de Empresas de Loulé – REGIOTIC, Diputación de Huelva e FUECA em Cádis.

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