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Grande investimento em biocombustível pode vir a instalar-se na região

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Está a ser percorrido o caminho no sentido de se poder vir a concretizar no concelho de Alter o maior investimento de sempre na região e que mudará a paisagem social e económica do Alto Alentejo.


O que se poderá, face aos números, identificar como o investimento do século, tem como objectivo a produção de biocombustível, já testado, por exemplo no circuito de Le Mans e na aviação, isento de emissões poluentes, mais energético que os combustíveis fósseis actuais, mais barato e com a grande vantagem de manter a tecnologia dos motores actuais.
A produção deste "crude" em Portugal a partir da plantação de bambu poderá ter a sua grande plataforma no concelho de Alter, em particular na Chança, na zona da Estação e do Pereiro pela sua classificação como área industrial no âmbito do PDM, usando depois a ferrovia através da linha do Leste e da futura linha Elvas – Sines.
Se não for viável a instalação neste local há várias soluções alternativas, desde logo a Zona Industrial de Alter, que se conjugam com as distâncias às áreas de produção e a localização da linha férrea.
Já a refinaria, por necessitar de enormes quantidades de água de arrefecimento para o processo, e para escoamento da produção através de petroleiros e super-petroleiros, será instalada no complexo de Sines para utilização da água do mar, no processo, e do porto de águas profundas, aproveitando toda a infra-estrutura instalada.
Em termos de estimativa de investimento pode apontar-se para um montante na ordem dos 350 milhões de euros para a produção de 50 mil toneladas/ ano de bio-diesel.
O projecto é liderado pelo russo Oleg Chumachenko, da Tokef Energia, que tem parte da família em Portugal e que estudou na Universidade de Aveiro, sendo especialista na área da energia.
Já a escolha de Alter resulta do facto de o alterense Luís Marques ser colega e amigo de Mário Serra que colabora com Oleg Chumachenko na estruturação do plano de negócios. A perspectiva era a instalação do projecto em Espanha pela necessidade de terrenos e a existência de sol para a cultura do bambu, matéria-prima do biocombustível. Perante esta necessidade, que pode ser satisfeita no concelho e na região, Luís Marques desafiou os responsáveis a canalizarem o investimento para Alter com o apoio do então presidente da Câmara, Joviano Vitorino, e desde início – Março de 2017 - também com o do então vereador do PS e actual presidente da Câmara, Francisco Reis.
Em termos de perspectiva de postos de trabalho estimam-se numa centena, dos quais 50 técnicos especializados, e outros tantos que podem ser formados na região, sendo que muitas destas pessoas terão de ser "importadas".
Dependendo da quantidade de biomassa, no futuro a unidade poderá ser ampliada e o número de postos de trabalho «atingir os 250 a 300, mas depende da evolução da matéria-prima».
Quanto aos terrenos «não vamos comprar, mas sim fazer parcerias com os agricultores», avançam os responsáveis.

Apoio de grandes empresas

Marcas automóveis como a Volkswagen, fabricantes de aviões, petrolíferas como a Total ou a Exxon Mobile, multinacionais como a Bayer ou a BASF (com interesses nos sectores dos plásticos, produtos farmacêuticos, anilinas e outros), e países como Israel ou a Alemanha já manifestaram interesse no projecto do qual poderão ser parceiros e estão mesmo «disponíveis para apoiar financeiramente o investimento», disse Oleg Chumachenko ao nosso jornal no decorrer que uma entrevista em que, juntamente com Mário Serra e Luís Marques, explicou todos os detalhes do projecto ao Alto Alentejo.
E se não fossem estes apoios garantidos «não chegávamos até aqui», assume Oleg Chumachenko que declara que conta com o apoio de fundos privados e de bancos, pelo que «temos o suficiente para a primeira fábrica».
Naturalmente que para além dos fundos privados, em que são necessárias «cartas de conforto dos Ministérios» para avalizar a viabilidade do projecto no sentido das autorizações futuras, haverá igualmente o recurso a fundos europeus, adianta o líder do projecto que garante, de entre outros aspectos, que «este projecto pode ser apoiado e quer ser apoiado pelo Governo alemão», do qual tem já essas garantias.
O momento da concretização do projecto no terreno «depende do apoio político», ou melhor «só depende já da política», sublinham os responsáveis que realçam a necessidade de uma «carta de conforto» do Ministério da Economia, pois «Espanha recebe o projecto» e «Marrocos também tem interesse do ponto de vista da biomassa», mas por razões técnicas a unidade central ("refinaria") teria de ficar em Portugal ou em Espanha.

Melhor região do País

Os responsáveis da Tokef não aceitaram a proposta de vir para Alter só porque Luís Marques os desafiou, mas sim porque «esta é a melhor região do País para fazer silvicultura da cana de bambu», explica Mário Serra.
Segundo os estudos realizados, a utilização do bambu «é rentável num raio de 35 quilómetros» da unidade.
Todo o trabalho de corte é executado pela empresa que assume também o transporte e toda a logística, recebendo o agricultor, em função da produção de biomassa, um valor entre os 30€ e os 50€/ tonelada, perspectivando-se que a produção industrial poderá iniciar-se a partir dos 2000 a 2500 hectares.
Esta produção pode realizar-se em solos pobres e, ao contrário do que por vezes se pensa que esgota os solos ou é invasiva, esta planta melhora o solo.
Para a biomassa podem ser ainda usados os resíduos agrícolas e outros no âmbito da legislação actual.
A produção de bambu exige um investimento de cerca de 600 a 700€ por hectare, que podem ser apoiados pela empresa, e carece de duas operações de manutenção anual. Durante os primeiros três anos há uma maturação do bambu e o corte inicia-se ao 4º ano.

Município dá todo o apoio

O presidente da Câmara de Alter, Francisco Reis, conhece o projecto desde o seu início e assumiu prestar-lhe todo o apoio mesmo muitos meses antes das eleições autárquicas.
No âmbito das suas competências tem desenvolvido todas as acções possíveis para ajudar a ultrapassar todos os obstáculos para que se possa concretizar o investimento que fará a "revolução" em Alter e na região, de modo que há poucos dias esteve, acompanhado de Oleg Chumachenko, em várias reuniões com diversas entidades governamentais em Lisboa.
Os responsáveis pelo projecto disseram mesmo ao nosso jornal que «fomos muito bem recebidos» e que «se dependesse só do Poder Local já tínhamos avançado».
O edil alterense anota que «trata-se de um projecto estratégico de interesse nacional que tem a ver com biomassa líquida, promovido por uma empresa que é a Tokef, empresa de investimentos com capitais alemães, que se disponibilizou junto do Município de Alter do Chão e ao mesmo tempo a pedir a sua ajuda no sentido de sediar aqui uma empresa no lugar de Chança Gare que, como todos sabem, já teve uma fábrica de tomate e que ficou no PDM como zona industrial, onde faz todo o sentido uma indústria deste tipo, moderna e inovadora, de carácter ambiental e com um grande mercado potencial em termos internacionais, nomeadamente na aviação comercial em que vão deixar de ser usados os combustíveis fósseis, a substituir pelos biocombustíveis».
E Francisco Reis assume que «era bom para nós este grande investimento e a criação de uma série de postos de trabalho, para além da mais-valia com a aquisição ou arrendamento de longa duração de solos no nosso concelho e concelhos limítrofes que são pobres» e seriam assim utilizados «para a plantação de bambu, que é de todas as plantas existentes aquela que mais rendimento dá para a biomassa. Aproveitariam também os restos florestais dos nossos concelhos limítrofes e da Beira para garantir a produção 24 sobre 24 horas».
Ao mesmo tempo «é aproveitada a linha do Leste cuja renovação implicou um investimento de largos milhões de euros e em que os comboios passaram a poder circular a uma velocidade diferente e a passarem, por exemplo, de 20 carruagens para 50 carruagens, podendo assim ter uma maior tonelagem».
Para Francisco Reis «foi isto que levou as pessoas a aparecer em Alter do Chão, e o que a Câmara tem de fazer, com o Francisco Reis ou qualquer outro em presidente, quando nos aparece esta oportunidade é apoiar as pessoas, estar junto delas, acompanhá-las, tentar interceder junto do Governo – neste caso Ministério da Economia, Secretaria de Estado da Energia, Ministério da Agricultura e Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, e por fim com o Ministério do Ambiente e com o ICEP, porque se trata de investimento estrangeiro – contactos que já fiz e estamos a reunir».
Em conclusão Francisco Reis assume o desejo de que «este projecto embrionário seja útil para o nosso concelho, e se o for será também para o nosso distrito que precisa destes investimentos».

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