Com uma vista magnífica sobre o Tejo, o novo Lar oferece residência para 41 utentes. O investimento foi de 1,5 milhões de euros e finalmente esta grande obra física e social abriu portas.
A vila de Belver viveu mais um dia histórico na quarta-feira,11, ao ver finalmente concretizado um sonho de anos que mobilizou esforços de muitos, finalmente coroado êxito com a abertura do novo Lar do Centro Social Belverense.
O novo Lar (ERPI - Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, conforme a nova designação), com uma vista magnífica sobre o Tejo, apresenta todas as comodidades para uma casa deste tipo, sendo de destacar a sala principal, muito alegre de onde se goza a deslumbrante paisagem de "belo-ver".
A construção deste equipamento atravessou um processo muito complicado em que a obra esteve parada por insolvência da empresa construtora (a mesma do Lar de Cabeço de Vide, que atravessou as mesmas contingências), havendo depois também problemas com os sub-empreiteiros que não recebiam do empreiteiro, e o longo e complexo processo chegou a por em causa a sobrevivência do próprio Centro Social Belverense, única entidade empregadora da freguesia.
O processo para construção do novo lar iniciou-se em 2009 e a obra arrancou em 2011, devendo estar concluída em 2013, mas tal só agora ocorre depois dos «graves problemas» que a obra atravessou.
«Em Janeiro de 2015 estava tudo parado porque os sub-empreiteiros não recebiam e a obra não avançava», explica o presidente do Centro Social Belverense, Jorge Martins (ex-presidente da Câmara de Gavião). «Entretanto o lar velho não cumpria as normas regulamentares, o novo não abria e a instituição estava ameaçada». «Foram 16 meses muito duros e de exigência máxima», confessa, mas «este dia 11 de Maio é um dia muito especial», diz profundamente comovido e com os olhos rasos de água, até porque, «sem o lar não há economia na freguesia nem apoio aos idosos»
«Momento emocionante»
Jorge Martins, que preside à instituição desde 2014, salienta a «parceria do Município, da Junta de Freguesia e da Segurança Social» sem as quais não teria sido possível ultrapassar os obstáculos, e adianta que «agora concentramo-nos na sustentabilidade económico-financeira da instituição e na valorização» do serviço prestado.
Outra das prioridades passa pelo encerramento do edifício que existia e que não podia funcionar como lar, reduzindo assim a despesa. Entretanto reflectir-se-á sobre o futuro, adianta Jorge Martins que anuncia que o Lar «será inaugurado com a dignidade que se justifica e havemos de fazer uma festa», mas o fundamental era colocar aqui de imediato os utentes, confessando que «este momento é emocionante», pois «o nosso trabalho é voluntário mas tem de ser feito com alma e prazer», salientando ainda o permanente apoio e empenho dos restantes membros dos órgãos sociais, e em especial o do tesoureiro, Vítor Santos, que por seu turno atesta que «assumimos esta responsabilidade e este desafio, por isso há que cumprir os objectivos», e este foi muito difícil de alcançar.
Para além de agradecer o permanente apoio da Junta de Freguesia e do Município, que aliás se iniciou no seu último mandato autárquico, pois foi Jorge Martins quem propôs o desafio a Alberto Paisana, que aceitou o repto e se empenhou no processo do novo lar com Carlos Rocha como tesoureiro, Jorge Martins declara que «é justo realçar o apoio e o empenho pessoal do engenheiro Firmino (chefe de Divisão da Câmara), ao mesmo tempo que salienta «a grande disponibilidade e apoio da Segurança Social» e a «total abertura» desta instituição, pelo que «só podemos dizer bem do director e dos técnicos», a quem «há um agradecimento que se impõe fazer», pois foram determinantes para os acordos.
Jorge Martins assume que este dia «é um virar de página no centro Social», mas que tal só foi possível porque a instituição foi construída e mantida ao longo de anos, pelo que «se hoje temos a honra e o prazer de viver este momento, isso tem de ser partilhado com todos os que trabalharam antes de nós», e lembra o presidente da Assembleia, Carlos Grácio, Jorge Santos e Alberto Paisana, que presidiram ao Centro Social.
Grande investimento
O Lar representa um investimento na ordem de 1,5 milhões de euros, dos quais 85% foram financiados pelo INAlentejo, 7% por fundos próprios da instituição e 8% pelo Município de Gavião, que adquiriu igualmente o terreno para instalação do equipamento e desafiou a instituição para avançar com o projecto e com a candidatura que o próprio Município assegurou.
O terreno foi adquirido pela Câmara em 2009, que faz uma cedência ao Centro Social por 50 anos, apresentando a candidatura ao INAlentejo em 2010.
Impulsionar a economia
O Lar, que tinha 25 utentes, passa agora a receber 41 residentes em nove quartos individuais e 16 duplos,
O Centro Social tem ainda 20 utentes na valência de Apoio Domiciliário e seis na de Centro de Dia
O serviço é assegurado por 30 funcionárias, com a perspectiva de aumento na proporção do acréscimo dos utentes e dos respectivos acordos com a Segurança Social, e a massa salarial mensal é na ordem dos 24 mil euros, a que acrescem os encargos sociais.
Os utentes são na generalidade da freguesia de Belver, que conta com 13 localidades, mas também poderá haver utentes de outros locais, bem como os colocados directamente pela Segurança Social.
O aumento do número de utentes vai «gerar a economia de escala que permitirá fazer a diferença», diz o presidente do Centro Social.