
Um percurso único
Natural de Pampilhosa do Botão – Mealhada, pode-se dizer que Sílvio Pleno não podia fugir à música. Já o seu avô era regente de banda, o seu pai foi maestro, o seu tio e o seu irmão. Aos cinco anos começou a aprender com o pai e já tocava flautim antes de entrar para a primária. Muitos jovem já tocava também saxofone alto, clarinete, requinta e bateria de jazz e integra várias orquestras.
Rever as pautas que o pai mandava executar foi um "trabalho infantil" que lhe deu um estofo extraordinário.
Aos 19 anos, com o antigo 7º ano e depois de trabalhar numa empresa, ingressa na Banda Militar de Infantaria 12 de Coimbra, é depois promovido para clarinete na Banda de Infantaria 6 no Porto, passa para Infantaria 1 em Lisboa e integra paralelamente diversas orquestras. Em Lisboa toca toca no máxime, Fontória, Ritz Club, etc., e em programas radiofónicos e televisivos. Em 1953 o Diário Popular atribui-lhe o título de "Melhor Saxofonista Luso".
Vai depois para a Banda Militar dos Açores, para a de Évora, chefia a Banda Militar do Funchal, ao mesmo tempo faz o Curso Superior de Composição do Conservatório Nacional, chefia a seguir a Banda de Caçadores 5 em Lisboa (uma das duas bandas militares de 1ª), e em 1966 vai chefiar a Banda Militar de Angola. Ali passa a leccionar na Academia de Música, integra a Orquestra Ligeira do Rádio Clube de Angola, ganha o 1º prémio da Canção de Angola, e integra outras bandas e orquestras.
Regressado a Lisboa e é então o Capitão Maestro Chefe de banda mais novo. Passa dirigir as variedades do grande programa militar radiofónico "Alerta Está", cujo mentor é Nuno Forte, e dirige a grande orquestra com imensos nomes famosos como pedro Caldeira Cabral, e cruza-se com inúmeras grandes personagens da música, da canção, do teatro e da rádio. Recorde-se que este programa deu origem à Orquestra Ligeira do Exército.
Aos 43 anos passa á reserva por desagrado com algumas decisões relativas às bandas militares e parte para Paris onde reside durante um ano na embaixada e faz o curso de Maestro Director de Orquestras Sinfónicas, tendo dirigido para 10.000 pessoas que aplaudiram de pé, no Palácio dos Congressos, a Orquestra da Rádio e Televisão de França.
Convidado para dirigir a Orquestra de Tours, opta por regressar a Portugal e dirige durante três concertos a Orquestra Sinfónica do Teatro Nacional de São Carlos, vence o Festival da Canção de Pontevedra em 1977 e regressa ao serviço militar para dirigir a Banda da Guarda Fiscal.
Em termos de bandas civis, e para além das já citadas, dirigiu as de Rio Mau (no norte), Rabo de Peixe, Lira do Norte de Ponta Delgada e Vila Franca do Campo (Açores), Municipal do Funchal, e ainda as de Mafra, Minde, Amora-Seixal, Alhandra, Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense ("Música Velha") e Santiago do Cacém.
Sílvio Pleno deixa ainda uma vastíssima obra musical, discográfica e impressa.
Participou como instrumentista, musicou ou dirigiu com inúmeros nomes sonates da música contemporânea, de Marco Paulo a Vitorino, de Cidália Moreira a Maranata, de Amália Rodrigues a Maria Armanda, de Simone de Oliveira a Madalena Iglésias, de Maria da Fé a Trio Odemira, de Carlos Paião a Hermínia Silva, e tantos e tantos mais.
Por ocasião do lançamento do livro de João Florindo sobre Sílvio Pleno, também a Sociedade Portuguesa de Autores lhe prestou homenagem, num momento a que se associaram, de entre outros, José Reza, António Sala, Vitorino Salomé ou Júlio César, de entre outros.
Sílvio Pleno parte mas a vida e a música ficam plenas de qualidade depois da sua passagem como Homem Bom e de Bem que conquistou com simpatia, sorriso, saber e grande humildade todos com quem se cruzou.
À Céu, ao André, ao filho mais velho e aos netos, à Banda Juvenil de Gavião, ao Município de Gavião e a Gavião, AA apresenta as mais sentidas condolências pela perda de tão ilustre e querida personalidade.
Até sempre Capitão, Maestro e Amigo. Ouviremos sempre com enlevo o seu saxofone.